DESTAQUE: Junta de Freguesia de Ribeira Chã adquire obras do Festa Redonda para nova sede. Ver Iniciativas
Aceitamos propostas de projectos na área da Escultura e Cinema.

O Festival Festa Redonda, que decorrerá nas nove ilhas dos Açores, arrancou no dia 25 de Outubro de 2007 e irá prolongar-se durante dezoito meses até Abril de 2009.

O evento, cujo nome presta homenagem ao escritor açoriano Vitorino Nemésio que escreveu “Festa Redonda, Décimas e Cantigas de Terreiro Oferecidas ao Povo da Ilha Terceira” (1950), pretende facilitar o acesso de algumas franjas da população açoriana mais votadas ao isolamento a várias formas de cultura, contribuir para o desenvolvimento do potencial turístico das ilhas do arquipélago e divulgar jovens valores em nove áreas de criação artística distintas.

As mostras de Arquitectura/Design, Cinema, Dança, Escultura, Fotografia, Literatura, Música, Pintura e Teatro vão correr os Açores durante ano e meio, numa lógica de festival itinerante. Cada Arte estará em cada ilha por um período máximo de dois meses.

Esta é uma iniciativa da Associação Cultural Festa Redonda, criada com um objectivo que ultrapassa a realização deste evento único: ajudar a desenvolver regiões e comunidades, através da Arte e da Cultura, levando a locais isolados artistas, programadores, agentes culturais e realizações culturais que, de outra forma, não seriam aí acessíveis.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

David Machado


David Machado nasceu em Lisboa em 1978. Em 2001, licenciou-se no curso de Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão. Após três anos a trabalhar com os números, afastou-se para se dedicar à escrita a tempo inteiro. Começou por publicar contos no suplemento DN Jovem do jornal Diário de Notícias. Em 2004, participou na colectânea “Contos de Verão” da editora Coolbooks, com o conto “O fantástico Verão do Café Lanterna”.
Em 2006, a Editorial Presença publicou o seu conto infantil A Noite dos Animais Inventados, vencedor do Prémio Branquinho da Fonseca 2005 da Fundação Calouste Gulbenkian e do Semanário Expresso. E nesse mesmo ano, publicou o romance O Fabuloso Teatro do Gigante.
Em 2007 publicou o conto infantil Os Quatro Comandantes da Cama Voadora. E foi escolhido para representar Portugal no projecto Scritture Giovani do Festivaletteratura de Itália em colaboração com alguns dos principais festivais literários da Europa - The Guardian Hay Festival (Reino Unido), Bjørnsonfestivalen Molde og Nesset (Noruega) e Internationales Literaturfestival Berlin (Alemanha) –, com o conto A Noite Repetida do Comandante.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Escrever uma ilha

Cada lugar é fonte de recordações, de sensações. E é, também, fonte de criações. É isso mesmo que se pretende com esta actividade, que se dirige a todos aqueles que escrevam (e que gostem de escrever): desencadear sensações, recordações. E criar arte.
Para isso, visitar-se-ão diversos locais de cada ilha. Lá, estimular-se-á a criatividade escrita. Partindo de dois conceitos, irá sendo composta, aos poucos, uma sinfonia escrita. A sinfonia que escreverá, em suma, a própria ilha em cada uma das suas localizações. Em cada uma das suas especificidades dentro de cada um dos participantes.
No final, estará construída uma obra. E ficará perfeitamente límpido que cada local é, mais do que aquilo que realmente é, aquilo que cada um nele encontra.
Um projecto de Pedro Chagas Freitas.

Ver biografia de Pedro Chagas Freitas

Sonopoesia


Vitorino Nemésio, figura de proa da cultura açoriana e portuguesa, é o epicentro do nosso trabalho.
Actualmente, com a prevalência da imagem movimento, a sonoplastia aparece como um componente acessório nas representações artísticas. E a sonoplastia é um complemento, mas é um complemento do próprio som. A palavra dita é sempre uma frase musical e a imaginação que acompanha a palavra dita é infinita. A proposta que apresentamos consiste em construir universos sonoros a partir das palavras, e também da voz, de Vitorino Nemésio, num total de nove peças. Partindo de textos poéticos, ou não, viajamos à volta deles, revivemos um tempo em que as novelas radiofónicas e os livros habitavam as casas das pessoas. A instalação sonora apresenta-se numa sala vazia, com apenas uma aparelhagem que reproduz continuamente as nove peças. O som pode também ser ouvido em headphones, criando, desta forma uma percepção mais autêntica.
Este trabalho complementar-se-ia com sua a transmissão através das rádios locais dos Açores, deixando fluir no éter as palavras duma das vozes maiores da cultura açoriana.
Sonopoesia é um projecto de Sofia Saldanha e Paulo Sousa.

Mais informações em sonopoesia.blogspot.com

Ver biografias de Paulo Sousa e Sofia Saldanha

Rui Lage


Rui Lage nasceu na cidade do Porto em 1975. É portuense por convicção e transmontano por vocação. Autor de livros de poesia, teatro, ensaio e literatura infantil, tradutor de poesia e prosa inglesa, francesa e espanhola. É membro da direcção da Fundação Eugénio de Andrade desde 2001. Fundou e dirigiu, entre 1998 e 2004, a revista de literatura, música e artes visuais Águas-Furtadas, editada pelo Núcleo de Jornalismo Académico do Porto. Foi Chefe de Redacção do Jornal Universitário do Porto em 2001, órgão no seio do qual desempenhou outros cargos directivos. Escreve crítica literária para as revistas Cadernos de Serrúbia, Apeadeiro e Terceira Margem e tem colaborado em jornais portugueses tais como o “Jornal de Notícias”, o “Diário de Notícias” ou o “Jornal de Letras, Artes & Ideias”. Organizou e moderou inúmeros debates sobre literatura e sobre temas ligados à cultura e à sociedade em geral. Tem tido a seu cargo, quer na Fundação Eugénio de Andrade quer noutros locais, a apresentação de obras – ou da Obra – de uma série de escritores: Eugénio de Andrade, Fernando Pinto do Amaral, Fernando Guimarães, A. M. Pires Cabral., Eduarda Chiote, etc. Organizou e/ou participou em diversos recitais de poesia. Participou, enquanto convidado, em vários programas de rádio e televisão. Tem diversos artigos e trabalhos académicos publicados e apresentou comunicações a diversos congressos, em Portugal e no estrangeiro. Encontra-se a trabalhar na sua tese de doutoramento em Literaturas Românicas, Adeus Campos Felizes: A Elegia na Poesia Portuguesa do Século XX, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se licenciou em Estudos Portugueses e Ingleses e se pós-graduou em Literatura Portuguesa e Brasileira.

Manuel Jorge Marmelo

Nasceu no Porto em 1971, onde reside. Jornalista desde 1989, recebeu em 1994 o prémio de jornalismo da Lufthansa e em 1996 a menção honrosa dos Prémios Gazeta de Jornalismo do Clube de Jornalismo/ Press Club.
Estreou-se nas letras em 1996 com o livro “O homem que julgou morrer de amor/O casal virtual” (novela e teatro).
Desde então escreveu os livros: Portugués, guapo y matador (1997, romance), Nome de tango (1998, romance), As mulheres deviam vir com livro de instruções (1999, romance), O amor é para os parvos (2000, romance), Palácio de cristal, jardim-paraíso (2000, álbum), Sertão dourado (2001, romance), Paixões & embirrações (2002, crónicas), Oito cidades e uma carta de amor (2003, contos e fotos), A menina gigante (2003, infantil), Os fantasmas de Pessoa (2004, romance), O Silêncio de um homem só (2004, contos; Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco) e Os Olhos do homem que chorava no rio (com Ana Paula Tavares, 2005).
Tem participado em várias publicações e antologias, entre as quais se destacam: “Porto.Ficção” (edição Asa), “Putas – Antologia do Novo Conto Português e Brasileiro” (edição Quasi), “Porto, Fragment de Vie” (da editora francesa L’Escampette), “Doze Contos com Livros Dentro” (edição Campo das Letras), “Suplemento Literário de Minas Gerais” e “Bestiário” (ambos do Brasil), “Magazine Artes” e “Imagem Passa Palavra” (edição Cooperativa Gesto). Escreveu ainda os textos dos livros “Vitória: Verso e Reverso” (edição Afrontamento) e “Mário Marques, Para Além do Instante” (edição do Centro Português de Fotografia).
É jornalista do Público.

Saber mais sobre o autor

José Maria Vieira Mendes


José Maria Vieira Mendes nasceu em 1976. Escreve e traduz para teatro.
Escreveu Dois Homens, Morrer, Crime e Castigo, Lá Ao Fundo o Rio e Chão. Traduziu À Espera de Godot de Samuel Beckett, três peças curtas de Duncan McLean (com Clara Riso), Vai Vir Alguém de Jon Fosse (com Solveig Nordlund), Comemoração de Harold Pinter e Filoctetes de Heiner Müller. É um dos responsáveis pela Revista Artistas Unidos e pela edição do Teatro de Bertolt Brecht na Cotovia.
Frequentou, em 2000, a International Residency do Royal Court Theatre de Londres.
A sua peça T1 encontra-se traduzida em castelhano, francês, italiano, polaco, alemão e inglês. Foi alvo de leituras encenadas em Festivais internacionais (Finlândia, Inglaterra e Itália), e teve estreia internacional a 17 de Janeiro de 2007 no teatro Maxim Gorki Studio em Berlim (com apoio do Instituto Camões).
Em 2000, recebeu o Prémio Madalena Perdigão/Acarte da Fundação Calouste Gulbenkian e o prémio Revelação José Ribeiro da Fonte do IPAE (actual Instituto das Artes). Em 2005, ganhou o Prémio Casa da Imprensa para a área do teatro. A peça A Minha Mulher venceu a 1ª edição do Prémio Luso-Brasileiro de Dramturgia António José da Silva, instituído pelo Instituto Camões e pela Funarte.

Valter Hugo Mãe


Valter Hugo Mãe é poeta e editor. Nasceu em 1971 na cidade angolana Henrique de Carvalho. Vive em Vila do Conde. Publicou nove livros de poesia, entre os quais: egon schielle auto-retrato de dupla encarnação (Prémio de Poesia Almeida Garrett); três minutos antes de a maré encher; a cobrição das filhas; útero e o resto da minha alegria. É autor das seguintes antologias: O encantador de palavras, poesia de Manoel de Barros; Série poeta, Homenagem a Julio-Saúl Dias; Quem quer casar com a poetisa, poesia de Adília Lopes; O futuro em anos-luz, 100 anos, 100 poetas, 100 poemas, para o Porto 2001, e Desfocados pelo vento, A poesia dos anos 80, Agora. Poemas seus estão traduzidos e editados em espanhol, francês, inglês, checo e árabe.
Venceu em Outubro deste ano o Prémio Literário José Saramago com a obra “O Remorso de Baltazar Serapião”.

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Jorge Reis-Sá


Jorge Reis-Sá nasceu em 1977 em Vila Nova de Famalicão. Frequentou os cursos de Astronomia e Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e estagiou no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto onde estudou genética populacional, interrompendo a formação académica para se dedicar à literatura enquanto editor e escritor. É responsável pela editora Quasi Edições e pela empresa Do Impensável – Projecto de Atitudes Culturais. Editou até ao momento quatro livros de poemas, À Memória das Pulgas da Areia [Quasi Edições, 1999], Quase e outros poemas De Querença, com pinturas de Luís Noronha da Costa [Quasi Edições, 2000], A Palavra no Cimo das Águas [Campo das Letras, 2000] e Biologia do Homem [Quasi Edições, 2004; edição brasileira: Escrituras, São Paulo, 2005], dois livros de narrativas, Por Ser Preciso [Cosmorama, 2004], vencedor do Prémio Manuel Maria Barbosa du Bocage desse mesmo ano e Equilíbrios Pontuados [Edição do Autor, 2004], um conto para crianças, Tomé e o Poema [ilustrações de Joana Quental, Quasi Edições, 2005] e um romance, Todos os Dias [Publicações Dom Quixote, 2006]. É colaborador permanente das revistas LER e Magazine/Artes onde assina as crónicas A Biologia dos Livros e Simbioses & Comensalismos, respectivamente. Organizou diversas antologias, entre as quais Anos 90 e Agora – Uma Antologia da Nova Poesia Portuguesa.

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João Pereira Coutinho


João Pereira Coutinho nasceu no Porto, em 1976. Formado em História, na variante de História da Arte. É pós-graduado em Ciência Política e Relações Internacionais, que também ensina. Foi colunista do semanário O Independente e os textos desse período estão reunidos no livro de crónicas Vida Independente: 1998-2003 (O Independente, 2004). Actualmente, escreve no Expresso, na revista Atlântico e no diário brasileiro Folha de S. Paulo.

Luísa Fortes da Cunha


Nasceu em 1961, em Vila Franca e passou a sua juventude na Figueira da Foz. O seu sonho era ser médica mas as médias altas do curso de Medicina empurraram-na noutra direcção. Licenciada em Educação Física pelo Instituto Superior de Educação Física de Lisboa (1987), recebeu bolsa de estudo do Conselho da Europa – Divisão de Educação, Cultura e Desporto, em 1990, com estágio em Estrasburgo. Concluiu o Mestrado em Gestão da Formação Desportiva em 1998, pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa e Pós-Graduação em Educação Especial pela Universidade Lusófona. Autora de inúmeras publicações científicas e artigos sobre segurança desportiva infantil, Luísa Fortes da Cunha estreou-se na literatura infanto-juvenil com Teodora e o Segredo da Esfinge, livro que atingiu um sucesso de popularidade entre os jovens e que em apenas 3 meses após a sua publicação, entrou em 2ª edição.
Depois da primeira aventura de Teodora - que alguns apelidam de Harry Potter à portuguesa - seguiram-se outros títulos: Teodora e a Poção secreta, Teodora e os Três Potes Mágicos, Teodora e o Livro dos Feitiços, Teodora e o Caldeirão Sagrado, Teodora e as Estaturas Misteriosas, Teodora e a Ilha Invisível, Teodora e o Relógio Mágico, Teodora e os Anéis Lendários e, o recentemente editado, Teodora e o Mistério do Vulcão.
Esta última aventura passa-se no Vulcão dos Capelinhos, no Faial, que este ano comemorou 50 anos.

Saber mais sobre a autora e a série Teodora

Jacinto Lucas Pires


Jacinto Lucas Pires nasceu no Porto, a 14 de Julho de 1974; vive em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Universidade Católica. Publicou vários livros pela editora Cotovia, entre os quais “Azul-turquesa” (ficção, 1998), “Abre para cá” (contos, 2000), “Livro usado” (viagem ao Japão, 2001), “Escrever, falar” (teatro, 2002), “Do sol” (romance, 2004), “Figurantes” (teatro, 2005).
Escreveu e realizou as curtas-metragens “Cinemaamor” (1999) e “B.D.” (2004).
Escreveu várias peças de teatro, entre as quais “Universos e frigoríficos” (1998, CCB/A.P.A., enc. Manuel Wiborg), “Arranha-céus” (1999, TNSJ/Teatro Bruto, enc. Ricardo Pais), “Escrever, falar” (2001, Maus Hábitos/.lilástico, enc. Marcos Barbosa), “Coimbra b” (2003, Coimbra Capital da Cultura/.lilástico, enc. Marcos Barbosa). “Figurantes”, (2004, Teatro Nacional São João, enc. Ricardo Pais).
Escreve regularmente em jornais e revistas. “Os vivos”, a peça que escreveu para o Bando, estrearou dia 20 de Julho no festival Citemor, em Montemor-o-Velho, com encenação de João Brites. “Perfeitos milagres” é o novo romance de Jacinto Lucas Pires.

Gonçalo M. Tavares


Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Em Dezembro de 2001 publicou a sua primeira obra. Em cinco anos publicou romances, poesia, teatro e pequenas ficções. Recebeu o Prémio José Saramago 2005 e ainda o mais importante prémio para originais em língua portuguesa — Prémio LER/Millennium BCP — com o romance Jerusalém (Caminho); o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com o livro O Senhor Valéry (Caminho); o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com Investigações.Novalis (Difel) e o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores “Camilo Castelo Branco” com água, cão, cavalo, cabeça (Caminho). Foi finalista do Prémio Letterario Giuseppe Acerbi e do Prémio Mondelo, Itália, com o romance “Jerusalém”.
Vários dos seus livros deram origem a obras de artistas plásticos, peças de teatro, etc. As suas obras estão a ser objecto de teses de mestrado e doutoramento. A sua obra literária faz parte do programa de cadeiras de Pós-Graduação e Mestrado da Faculdade de Letras do Porto.
Estão em curso edições e traduções de quinze dos seus livros em onze países. Publicou livros com peças e textos teóricos sobre teatro.

Ana Bela Correia


Ana Bela Correia nasceu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel nos Açores, em 1957. Concluiu o curso do antigo Magistério Primário em Ponta Delgada, em 1979. Fez a Profissionalização em Exercício na Universidade dos Açores, tendo-lhe sido conferida a habilitação própria para leccionar o 2.º Ciclo do Ensino Básico. Em 2002 concluiu a licenciatura em Educação Visual e Tecnológica pela Escola Superior de Educação de Lisboa. É professora de Educação Visual e Tecnológica na Escola Básica 2,3 Padre João José do Amaral, em Lagoa, ilha de São Miguel, Açores.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Residência de Escrita

Dentro das ilhas criadas pela natureza, há ilhas criadas pelos homens.
Se nos perguntassem que lugar de todo o mundo escolheriam para escrever – não é isto afinal, um sonho de qualquer escritor? –, nós responderíamos Açores. Uma proposta de residência de escrita – escrever os Açores, escrever nos Açores –, no âmbito do Festival Festa Redonda, é uma forma de chamar a atenção para a potencialidade do arquipélago enquanto espaço privilegiado para a criação literária e artística.
Pico, S. Jorge, Flores e Corvo, porque são as ilhas onde pensamos encontrar os temas que queremos trabalhar. Mas o nosso projecto pode ser transferido para outras ilhas, se for mais conveniente à organização do festival.
Sugerimos dois meses distribuídos por duas semanas em cada uma das ilhas. Ao longo deste período, a pesquisa andará a par da escrita. No final de cada quinzena, faremos leituras do trabalho abertas às comunidades.

Marta Lança e Susana Moreira Marques

CAL

A CAL é uma Banda Desenhada de produção açoriana. Mariense de origem, tem vindo a ser publicada por capítulos na Revista :Ilhas desde 2004. O texto é de Judite Fernandes e o desenho de Luís Roque. Tem como ponto de partida o ano de 1864 e a ilha de Santa Maria, mas a partir desse mote percorre diversas ilhas do arquipélago, o universo da indústria baleeira e da pirataria, num círculo que evolui entre os Açores- Brasil- Caraíbas Estados Unidos-Açores. A história trabalha estes contextos, pontes e emaranhados pessoais articulando a poesia à narração e procurando construir uma forma de narração poética que abrigue as emoções na história e na aventura. O Atlântico, sua fúria mansa e incontrolável, percorre a cal dos dias. Cal é um cagarro existencialista e sereno como só os pássaros sabem ser, que decide acompanhar esta aventura protagonizada por uma mulher, Maria Antónia. Com este mote, a Cal aborda a fantasia e a realidade da mulher açoreana em finais do século XIX.
A representação e a estética deste trabalho enquadra-se no universo dos autores do contraste na BD a preto e branco, como Hugo Pratt, Comés, etc. É assim, porque este ambiente de grande contraste favorece a poética e ritmo procurados durante a historia pelas personagens, o desenho procura representar o essencial em detrimento do pormenor, estando lado a lado com a narrativa, e assim formarem um todo.
Pensamos que a CAL é um trabalho singular nos Açores, pela história, pelo período temporal que representa, pelo suporte BD, pela simplicidade e autenticidade do conjunto. Em suma, o que propomos é um projecto que contribua para que a BD também conquiste espaço na produção cultural nas ilhas, para reforçar o universo colectivo e fantástico da baleação e do sonho transcendental da rota do Atlântico ao longo de alguns séculos pelas gentes do mar, universo onde o arquipélago dos Açores se assumiu e ainda hoje se assume como ponto de referência. Com a CAL julgamos também poder contribuir para alargar a oferta do mercado do livro nos Açores.

Ver biografias de Judite Fernandes e Luís Roque

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A Crosta - edição de livro e exposição


O livro
A Crosta é uma história tão antiga quanto a humanidade. Diz Seferis: Acordei com esta cabeça de mármore nas mãos que extenua os meus cotovelos e não sei onde pousá-la… se não o sabemos, deixá-la voar até eliminar a sua gravidade, deixá-la partir, deixá-la ficar em confronto entre os dias inexplicáveis, deixá-la passear-se pela ilha múltipla de todos os estranhos que moram em nós.
A Crosta é o Luís, eu só lhe ponho algumas palavras na boca, diz a Judite. As Crostas são as coisas que não voam, são as que poisam, diz o Luís. A Crosta é aquele minuto em que por acaso tudo se torna subitamente claro, diz o Luís. Para logo se turvar outra vez, diz a Judite.
Pois então… a Crosta é pintura, poesia e narrativa procurando encontrar fusão através do diálogo estético do autor e da autora e das suas expressões que navegam, naquele objecto, juntas (não diz ninguém, mas sente-se).

A exposição
Três espaços antecedem o livro para o percorrer. Primeiro, convida-se cada pessoa a respirar o seu próprio poema, devagarinho… a fazê-lo palavras de pensar e de sentir a sua ilha de ser, depois… a atravessar as páginas através da pintura, do som e das palavras… depois… a fazer um exercício, o do processo partilhado de como se faz da pintura um livro de poesia que é um livro de pintura que conta a história de um poema…

Ver biografias de Judite Fernandes e Luís Roque